Preço médio do café em cápsulas atinge R$ 407,96 por quilo no Brasil
Levantamento da Abic aponta que valor por quilo caiu 1,39% em agosto, mas segue sendo o dobro do preço médio do café solúvel no mercado nacional.

O preço médio do café em cápsulas no Brasil atingiu R$ 407,96 por quilo em agosto deste ano, conforme dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). Apesar do patamar elevado, o valor apresentou uma retração de 1,39% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando o quilo do produto custava R$ 413,73.
Atualmente, uma caixa com 10 cápsulas de aproximadamente 6 gramas cada é comercializada por um preço médio de R$ 24,50, o que representa um custo de cerca de R$ 2,45 por cápsula. O formato, que utiliza a passagem de água sob alta pressão, foi idealizado pelo engenheiro suíço Eric Favre na década de 1970 e consolidado mundialmente após o lançamento das máquinas Nespresso em 1986, integrando hoje o portfólio de diversas marcas como Starbucks, Três Corações e Dolce Gusto.
Comparativo de preços
A disparidade de preços torna-se evidente ao comparar o café em cápsulas com o café solúvel, um dos principais itens da pauta exportadora brasileira. Em agosto, segundo a Abic, o quilo do café solúvel foi comercializado, em média, por R$ 203,64, valor equivalente à metade do preço cobrado pelo formato em cápsulas.
Ao projetar esses valores para uma saca de 60 kg, o café em cápsulas alcançaria o montante de R$ 24,5 mil, enquanto o café solúvel corresponderia a R$ 12,2 mil. Essa diferença de mais de R$ 12 mil por saca ilustra o impacto do valor agregado ao longo da cadeia de industrialização e conveniência para o consumidor final.
Tecnologia e agregação de valor
O analista de mercado Eduardo Carvalhaes ressalta que o valor da cápsula não se limita às gramas de café, mas incorpora todo o sistema tecnológico, o desenvolvimento de máquinas e as etapas de industrialização. Segundo o especialista, a composição de preço é comparável à de um café servido em uma padaria, que também embute custos fixos como aluguel e mão de obra.
Carvalhaes destaca que o mercado brasileiro enfrenta o desafio de transpor a excelente capacidade de produção de café para o desenvolvimento de produtos de maior valor agregado. O analista observa que, embora o Brasil seja líder mundial na produção e exportação, o país ainda carece de marcas industrializadas com relevância internacional, configurando o que ele define como um desafio cultural de capturar valor nas etapas subsequentes à colheita.
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