Mercado de café enfrenta volatilidade e pressão de baixa nas bolsas internacionais
Com o vencimento de dezembro-26 em foco, o mercado acompanha a disputa entre fundos e a forte oferta global que pressiona os preços no curto e médio prazo.

A semana no mercado de café iniciou com instabilidade, influenciada pelos resultados das eleições no Brasil, que levaram a taxa de câmbio a R$ 5,60 por dólar na segunda-feira. O vencimento de dezembro-26 na Bolsa de Nova York registrou alta volatilidade, com queda de 800 pontos, encerrando o dia a 299,50 centavos de dólar por libra-peso, após atingir 294,90 durante a sessão.
Embora o real tenha sofrido uma desvalorização de 12% frente ao dólar, o café recuou cerca de 3%, gerando um ganho potencial de 9% para o produtor. Mesmo sem esse benefício chegar integralmente à ponta final, o café arábica tipo 6, peneira 17-18, voltou a negociar acima de 1.700 R$/saca.
Ao longo da semana, os preços continuaram a trajetória de recuo. O vencimento de dezembro-26 em Nova York encerrou a 287,20 centavos de dólar por libra-peso, após testar a mínima de 280,80. Em Londres, o contrato para março-27 fechou em 3.193 US$/tonelada.
Pressão técnica e vencimento de opções
O vencimento de dezembro-26 mantém uma disputa entre fundos, com o contrato tentando sustentar a média móvel dos 200 dias, situada em 285 centavos de dólar por libra-peso. Notavelmente, todos os demais vencimentos em Nova York, de março-27 a dezembro-27, já operam abaixo dessa média, o que indica uma tendência de baixa no mercado.
O vencimento de dezembro-26 é considerado crítico, especialmente com o vencimento das opções agendado para o dia 12 de novembro. Há uma pressão vendedora significativa, com aproximadamente 12.450 lotes de opções de venda "put" já dentro do dinheiro, com grande concentração nos strikes de 260, 270 e 280 centavos de dólar por libra-peso.
Apesar disso, fundos e especuladores estão cientes de que o estoque certificado encontra-se em patamares historicamente baixos, próximo de 225.000 sacas. A expectativa é que esses agentes possuam estratégias de proteção, como o contra-hedge, para suas posições vendidas.
Cenário global e oferta de safra
No curto e médio prazo, o mercado permanece abastecido. O Brasil caminha para encerrar o mês de outubro-26 com um volume de exportação estimado em 5,20 milhões de sacas, mantendo o ritmo de recordes e alcançando cerca de 16,28 milhões de sacas exportadas nos primeiros quatro meses da safra 26/27.
Enquanto isso, a colheita no Vietnã segue em ritmo acelerado, impactando as cotações em Londres. Os contratos de março-27 a novembro-27 já encerraram abaixo de 3.200 US$/tonelada, enquanto os vencimentos de 2028 lutam para manter o patamar de 3.100 US$/tonelada.
A perspectiva é de continuidade do movimento baixista para os próximos meses, à medida que cerca de 115 milhões de sacas adicionais de diversos países produtores entram no mercado. A única variável que poderia alterar essa trajetória no médio prazo seria algum evento climático severo que comprometesse a safra brasileira 27/28, algo que, por enquanto, não se confirmou.
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