Preços do café sobem nas bolsas internacionais com estoques reduzidos
Cotações do robusta em Londres e arábica em Nova York avançam em meio a baixos níveis de estoques certificados na ICE.

Os preços do café registraram alta significativa na última segunda-feira, com destaque para o café robusta, que alcançou sua maior cotação em uma semana. Esse movimento de valorização ocorreu paralelamente à queda dos estoques de arábica nos armazéns da ICE para o menor nível em um mês e meio, fato que ofereceu suporte aos preços mesmo diante da chegada contínua de suprimentos brasileiros.
Na bolsa de Londres, os contratos futuros de café robusta para entrega em novembro de 2026 subiram 1,15%, atingindo US$ 3.256 por tonelada. O vencimento para janeiro de 2026 também avançou 1,15%, para US$ 3.241 por tonelada, enquanto o contrato para março de 2027 registrou alta de 1,06%, chegando a US$ 3.227 por tonelada. Outros contratos no mercado londrino tiveram valorizações entre US$ 35 e US$ 36 por tonelada.
Nova York segue tendência de alta
A bolsa de Nova Iorque também acompanhou o movimento de alta para o café arábica. O contrato para entrega em dezembro de 2026 aumentou 4,9 centavos de dólar por libra, fechando em 292,1 centavos. Para os vencimentos de março e maio de 2026, as altas foram de 1,35% e 1,37%, respectivamente, com os preços atingindo 280,55 e 276,5 centavos de dólar por libra.
O suporte aos preços deriva da preocupação com os níveis reduzidos de disponibilidade imediata. Na segunda-feira, os estoques de arábica na ICE somavam 220.917 sacas, patamar próximo à mínima histórica de 27 anos registrada em 15 de setembro, de 217.646 sacas.
Dinâmica de estoques e influência cambial
Embora o café brasileiro chegue aos armazéns em ritmo acelerado desde meados de setembro, alcançando 83.052 sacas na última quinta e sexta-feira, o volume ainda não reflete nos números certificados da ICE. Parte disso se deve ao processo de inspeção de 47.476 sacas que aguardavam liberação na sexta-feira, procedimento que pode levar até duas semanas.
O mercado também observa a volatilidade cambial e seu impacto na comercialização. Recentemente, a desvalorização do real frente ao dólar incentivou exportadores brasileiros a intensificarem as vendas, visando um maior retorno financeiro em moeda local. O Brasil, como o maior produtor global, detém entre 35% e 40% da produção mundial, e sua oferta direta impacta o equilíbrio entre a demanda dos torrefadores e a liquidez disponível nos contratos futuros.
Gostou? Compartilhe esta matéria
Leia também

Nova York
Café registra nova alta nas bolsas internacionais com arábica próximo aos 300 cents
Cotações do arábica em Nova York e do robusta em Londres mantêm trajetória de recuperação observada no início de novembro.
Brasil
Mercado de café enfrenta volatilidade e pressão de baixa nas bolsas internacionais
Com o vencimento de dezembro-26 em foco, o mercado acompanha a disputa entre fundos e a forte oferta global que pressiona os preços no curto e médio prazo.
Brasil
Mercado de café descafeinado com sabor projeta expansão até 2035
Relatório aponta que a categoria foca na premiumização, inovação em sabores e novas ocasiões de consumo para crescer globalmente.
Mogiana
