Cerrado MineiroProdução e Safra
Patrocínio perde liderança na produção de café para municípios capixabas em 2025
Após 20 anos na liderança nacional, município mineiro cai para o terceiro lugar em volume produzido, mas mantém a ponta no valor total da produção.

Após duas décadas ocupando o topo do ranking nacional de produção de café, Patrocínio deixou o primeiro lugar em 2025. Dados do IBGE apontam que o município foi superado por duas cidades do Espírito Santo: Rio Bananal e Linhares, que assumiram a liderança em volume colhido no país.
Em 2025, Patrocínio registrou uma produção de 48.669 toneladas de café. O novo líder, Rio Bananal, atingiu 69.219 toneladas, enquanto Linhares contabilizou 63.720 toneladas. A diferença, que já vinha diminuindo desde 2024, consolidou a mudança no topo da lista estatística.
Apesar da queda no volume físico, Patrocínio segue na terceira posição nacional, pressionado por outros municípios capixabas como Vila Valério, em quarto lugar com 45.000 toneladas, e São Mateus, em quinto com 42.900 toneladas.
Cenário em Minas Gerais
Dentro de Minas Gerais, Patrocínio mantém o posto de maior produtor isolado. O ranking estadual é seguido por Manhuaçu, com 29.040 toneladas, e Monte Carmelo, que aparece em terceiro com 27.938 toneladas.
O Sul de Minas também figura entre os maiores produtores do estado com Ibiraci e Campos Gerais ocupando a quarta e quinta colocações, respectivamente. Outros municípios mineiros, como Três Pontas, Serra do Salitre e Araguari, completam a lista dos grandes produtores regionais, embora apresentem volumes inferiores aos líderes.
É importante destacar que a produção de café no Brasil alterna entre as variedades Arábica e Conilon. Enquanto o Arábica é conhecido pela qualidade superior e preços mais elevados, o Conilon, predominante no Espírito Santo, tem um perfil de mercado distinto.
Valor da produção mantém liderança
Embora tenha perdido a liderança na quantidade, Patrocínio permanece no primeiro lugar no Brasil e em Minas Gerais quando o critério é o valor da produção. O município movimentou R$ 1,6 bilhão com o grão em 2025, superando Rio Bananal, que atingiu R$ 1,58 bilhão, e Linhares, com R$ 1,44 bilhão.
Essa resiliência financeira reflete a qualidade do café produzido no Cerrado Mineiro, que, na média de mercado, alcança valores superiores ao café produzido no Espírito Santo. Desde 2004, a trajetória do valor da produção de Patrocínio tem sido de crescimento constante, passando de R$ 100 milhões para os atuais R$ 1,6 bilhão.
Apesar da qualidade superior, a aproximação dos produtores capixabas no quesito valor total acende um alerta. Em um ranking dominado por cidades do Espírito Santo, Patrocínio destaca-se como o único representante mineiro entre os dez maiores produtores do país, evidenciando a necessidade de atenção constante dos produtores locais.
Gostou? Compartilhe esta matéria
Leia também

Brasil
Uso de silício reduz incidência de cercosporiose em mudas de café
Pesquisadores da UFLA e Epamig constataram que a aplicação de silício fortalece a estrutura foliar e diminui significativamente as lesões da mancha-de-olho-pardo.
Espírito Santo
Cafeicultores criam máquinas para economizar água, tempo e dinheiro na lavoura
Inventos desenvolvidos em propriedades de Minas Gerais e do Espírito Santo buscam otimizar o manejo e oferecer tecnologias acessíveis aos produtores de café.
Brasil
Produtores resgatam tradição cafeeira e investem em qualidade no Rio Grande do Norte
Iniciativas familiares em Jaçanã e Portalegre impulsionam a retomada do cultivo de café no estado com foco no mercado de grãos especiais.
Nordeste do Pará
