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Uso de silício reduz incidência de cercosporiose em mudas de café

Pesquisadores da UFLA e Epamig constataram que a aplicação de silício fortalece a estrutura foliar e diminui significativamente as lesões da mancha-de-olho-pardo.

Por Redação 2 min de leitura
Uso de silício reduz incidência de cercosporiose em mudas de café

Um estudo desenvolvido pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), Epamig e instituições parceiras demonstrou que o fornecimento de silício pode reduzir drasticamente a incidência da cercosporiose, conhecida como mancha-de-olho-pardo, em mudas de café Catuaí Vermelho IAC 99. Os dados apontam uma diminuição de 63,2% no número de folhas lesionadas e uma redução de 43% nas lesões por planta em comparação aos espécimes que não receberam o elemento.

A cercosporiose é uma enfermidade que impacta diretamente o desenvolvimento do cafeeiro, podendo provocar desfolha, atraso no crescimento e perda de vigor nas plantas jovens. Os resultados indicam que o manejo nutricional com silício surge como uma ferramenta estratégica para o controle integrado da doença, atuando diretamente na morfologia das folhas.

Mecanismos de defesa

O experimento comparou mudas de Catuaí Vermelho IAC 99, Mundo Novo IAC 379/19 e Icatu IAC 2942, utilizando silicato de cálcio no substrato. Para garantir a precisão científica, os pesquisadores equalizaram os níveis de cálcio entre os tratamentos com o uso de carbonato de cálcio, isolando assim o efeito específico do silício.

Por meio de microscopia eletrônica de varredura e microanálise de raios X, a equipe identificou uma camada de cera mais espessa na face inferior das folhas das plantas tratadas. Essa barreira física, combinada com a distribuição mais uniforme de silício, torna a superfície foliar mais hidrofóbica, o que dificulta a formação do filme de água essencial para a infecção do fungo.

Diferenças varietais e manejo

A resposta ao tratamento variou conforme a genética do cultivar. O Catuaí apresentou os resultados mais expressivos, enquanto o Icatu, que já possui resistência natural à doença, demonstrou um efeito menor. Os autores do trabalho alertam que os dados não devem ser generalizados automaticamente para outras variedades ou lavouras em fase adulta.

A engenheira agrônoma Adélia Aziz Alexandre Pozza e o especialista Maurício Komori enfatizam que o silício deve ser visto como um componente de um manejo integrado. O controle eficaz da cercosporiose exige uma combinação de escolha correta de variedades, equilíbrio nutricional, monitoramento fitossanitário e aplicação de defensivos, sendo a nutrição um pilar fundamental para aumentar a resistência a estresses.

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