Produtores resgatam tradição cafeeira e investem em qualidade no Rio Grande do Norte
Iniciativas familiares em Jaçanã e Portalegre impulsionam a retomada do cultivo de café no estado com foco no mercado de grãos especiais.

A cafeicultura vive um movimento de renascimento no Rio Grande do Norte, impulsionado pelo resgate de tradições familiares e pelo incentivo à produção de cafés especiais. Produtores como Diogo Castro, em Jaçanã, e Gerlane Magalhães, em Portalegre, lideram esse retorno, transformando plantas remanescentes em negócios viáveis e premiados.
O movimento de retomada conta com o suporte de instituições como o Sebrae-RN, que atua no mapeamento de áreas potenciais e na capacitação dos produtores. O setor busca se reposicionar no mercado nacional através da agregação de valor, distanciando-se de commodities básicas e focando na qualidade da bebida para atender um consumidor mais exigente.
Experiências e conquistas no campo
Diogo Castro iniciou seu projeto no Sítio Rio Grande em 2020, utilizando duas mil plantas remanescentes herdadas de seu avô. Com a criação da marca Café Jaçanã, ele modernizou o maquinário e a torrefação, atingindo uma produção de 29 sacas em 2025. Para 2026, porém, o produtor já antecipa desafios produtivos devido a um inverno com precipitação insuficiente.
Em Portalegre, Gerlane Magalhães superou dificuldades hídricas, que inicialmente exigiram o manejo da irrigação manual com regadores, para lançar o Café Laurides em outubro de 2026. A safra atual rendeu 40 quilos de grãos, sendo que o café especial alcançou a nota 86,50 segundo os protocolos da Specialty Coffee Association, superando o patamar de 80 pontos que define a categoria.
Potencial e desafios do setor potiguar
O cenário cafeeiro no Rio Grande do Norte reflete uma mudança de mentalidade, onde o foco se volta para a rastreabilidade e a qualidade do produto final. Segundo o engenheiro-agrônomo Jheyson Dantas, o salto de valorização é significativo, com sacas que podem atingir entre R$ 4 mil e R$ 5 mil no mercado atual de cafés especiais.
Dados do IBGE mostram que a atividade movimentou R$ 10,04 milhões no estado em 2025. Além da produção primária, o Rio Grande do Norte mantém uma indústria de torrefação ativa, com quatro plantas industriais que geram cerca de 1.100 empregos diretos, utilizando grãos supridos pela Bahia, Espírito Santo e Minas Gerais para compor o processamento local.
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