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Cafés brasileiros batem recorde de preço em leilão internacional no Japão

Lotes de produtores de Minas Gerais foram arrematados por valores históricos em pregão beneficente realizado durante evento em Tóquio.

Por Redação 2 min de leitura
Cafés brasileiros batem recorde de preço em leilão internacional no Japão

Dois cafés brasileiros estabeleceram novos recordes de preço por libra-peso em leilões da Alliance for Coffee Excellence (ACE). A marca foi alcançada no último dia 16, durante o leilão beneficente Legends of Excellence, realizado em Tóquio, no Japão, como parte da SCAJ World Specialty Coffee Conference and Exhibition 2026.

O lote de café gesha natural, produzido por Luiz Paulo Dias Pereira Filho na Fazenda Santuário Sul, em Carmo de Minas (MG), foi vendido por US$ 200 por libra-peso, o que equivale a US$ 26,5 mil por saca. A aquisição foi feita pela empresa japonesa Snow Beans Coffee.

Outro destaque foi o café arara natural da Fazenda Sertãozinho, de Botelhos (MG), de propriedade da Orfeu Cafés Especiais. O lote foi arrematado pela Black Sip Coffee Roasters, da Arábia Saudita, pelo valor de US$ 151 por libra-peso, correspondente a US$ 20 mil por saca.

Contexto histórico e leilão

Os novos valores superam a marca brasileira anterior, registrada em 2018. Na ocasião, um café gesha da Fazenda Primavera, situada em Angelândia, na Chapada de Minas, foi comercializado por US$ 143 por libra-peso, ou US$ 18,9 mil por saca.

O leilão de Tóquio reuniu 12 lotes provenientes do Brasil e de países como Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua. O maior lance do evento foi de US$ 333 por libra-peso, pago por um gesha lavado de Honduras, produzido na Finca El Puente.

O título Legends of Excellence, instituído em 2025, tem como objetivo reconhecer produtores que demonstram resultados consistentes no Cup of Excellence, a principal competição de qualidade para o setor cafeeiro.

Destino dos recursos

A iniciativa possui caráter beneficente, com cada participante doando uma caixa de 10 kg de café para o pregão. Toda a receita obtida será dividida igualmente entre o financiamento de projetos sociais em comunidades produtoras e o apoio a iniciativas de educação cafeeira global.

De acordo com a ACE, os recursos serão destinados a melhorias em escolas, projetos de abastecimento de água, saúde e habitação. Além disso, a verba visa fomentar a formação profissional e oferecer bolsas de estudo para novos talentos no setor.

A trajetória da cultivar arara

O café arara, que figurou entre os recordistas, é fruto de décadas de pesquisa. A cultivar de arábica foi lançada em 2012, resultado do trabalho do extinto Instituto Brasileiro do Café (IBC) e da Fundação Procafé, com participação do engenheiro agrônomo José Braz Matiello na seleção a partir de plantas identificadas em 1987.

A Fazenda Sertãozinho tem histórico de investimento nesta variedade, participando de ensaios de campo desde 2013. O gerente técnico de operações agrícolas da Orfeu Cafés Especiais, Lucas Henrique Figueiredo, destaca que a notoriedade da cultivar reside na resistência à ferrugem, na produtividade e, principalmente, no alto potencial de qualidade de bebida.

A presença do arara em premiações cresceu significativamente. Em 2024, sete lotes da variedade foram premiados, enquanto em 2025 o arara esteve presente em 16 dos 30 lotes reconhecidos no Cup of Excellence, representando seis regiões produtoras diferentes.

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