Café arábica avança na bolsa com incertezas sobre safra e clima no Brasil
O excesso de chuvas causadas pelo El Niño impacta a qualidade e a oferta, elevando as cotações do café arábica e do robusta no mercado internacional.

Os contratos futuros de café arábica encerraram o pregão com alta de 3,8 centavos, o que representa um avanço de 1,3%, cotados a US$ 2,9255 por libra-peso. O movimento de valorização ocorre em um cenário de curto prazo marcado por preocupações crescentes com a qualidade do produto brasileiro.
O excesso de chuvas associado ao fenômeno El Niño no Brasil, principal produtor mundial, tem gerado instabilidade no mercado. Além da qualidade, há um temor latente entre os agentes econômicos de que o mesmo padrão climático possa resultar em episódios de seca severa nas regiões produtoras no futuro.
Cenário global e estoques
Enquanto o arábica segue pressionado por questões climáticas, o preço do café robusta também registrou alta de 1,7%, alcançando US$ 3.528 por tonelada. O desempenho dos preços físicos elevados na Colômbia e na América Central, somado a estoques reduzidos, mantém a tendência altista para parte dos participantes do setor.
David Behrends, da Sucafina, ressalta que, embora a perspectiva para a safra 2026/27 no Brasil ainda indique um volume abundante, o mercado permanece atento aos efeitos imediatos do clima. Paralelamente, o Vietnã, maior produtor de robusta, reportou exportação de 1,45 milhão de toneladas métricas nos primeiros nove meses de 2026, um crescimento de 16,2% no período.
Impactos do câmbio e outros mercados
A dinâmica de negociação foi influenciada ainda pela volatilidade cambial, com o real registrando um salto de quase 5% na segunda-feira. No mercado de commodities em geral, uma moeda local mais forte tende a reduzir a liquidez, uma vez que desacelera o ritmo de vendas por parte dos produtores brasileiros que buscam melhores margens na conversão cambial.
O setor agrícola observa de perto o comportamento de outras commodities, como o açúcar, que atingiu a maior cotação em 19 meses, superando os 20 centavos por libra-peso. O excesso de chuvas, que afeta a produção e atrasa o carregamento nos portos, tem sido um fator comum na elevação dos preços de diversos produtos agrícolas negociados nas bolsas internacionais.
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