Brasil impulsiona exportações mundiais de café com recorde de embarques em agosto
Crescimento nos envios brasileiros elevou o total global em 14,6% e pressionou as cotações internacionais em setembro segundo a OIC.

A entrada da nova safra brasileira no mercado foi o principal fator para o avanço das exportações mundiais de café em agosto. Os embarques de arábica do grupo dos naturais do Brasil alcançaram 2,92 milhões de sacas, o maior volume já registrado pela Organização Internacional do Café (OIC) para um mês de agosto.
Este resultado superou os 2,26 milhões de sacas enviadas em agosto de 2025 e ficou 6,6% acima do recorde anterior, de 2,74 milhões de sacas, observado em 2020. No total, considerando café verde, torrado e solúvel, o Brasil exportou 4,28 milhões de sacas, um aumento de 34,5%, marcando o quinto mês seguido de alta na comparação anual após 16 meses de retração.
Impacto global e preços
O desempenho brasileiro sustentou o crescimento de 14,6% nas exportações globais, que somaram 12,55 milhões de sacas em agosto. A América do Sul liderou com 5,98 milhões de sacas, alta de 20,2% sobre o mesmo mês de 2025, enquanto Ásia e Oceania cresceram 23,1%. Em contrapartida, a África e a região do México, Caribe e América Central registraram quedas de 1,8% e 14,3%, respectivamente.
A maior disponibilidade de café brasileiro pressionou os preços internacionais em setembro. O indicador composto da OIC recuou 8,7%, atingindo média de 262,18 centavos de dólar por libra-peso. O grupo dos arábicas naturais brasileiros teve a maior baixa, de 9,9%, enquanto os robustas recuaram 7,3%.
A OIC projeta um superávit de 3 milhões de sacas para 2025/26 após quatro anos de déficit, embora essa margem represente menos de uma semana de consumo global. O cenário de preços também é influenciado por expectativas de menor consumo mundial e pela necessidade de recompor os estoques certificados de arábica, que atingiram em meados de setembro o menor nível desde 1999.
Dinâmica das variedades
Os cafés robustas foram protagonistas no crescimento mundial, com exportações de 4,36 milhões de sacas, alta de 22,4%. O Vietnã e o Brasil foram os principais exportadores, com 1,78 milhão e 960 mil sacas, respectivamente. No arábica, as exportações globais subiram 11,6%, para 6,58 milhões de sacas, com o grupo dos naturais brasileiros exportando 3,57 milhões de sacas no mês.
O robusta segue ganhando espaço na produção mundial, com participação estimada em 43,1% no ano cafeeiro 2025/26. Fatores como a relação de preços entre as variedades e mudanças nas preferências dos consumidores ajudam a explicar essa composição. Enquanto isso, o mercado segue atento às condições climáticas: chuvas de setembro favoreceram a floração no Brasil, mas o calor no final do mês e riscos de seca na América Central geram cautela quanto à oferta futura.
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