Cerrado MineiroSustentabilidade
Nestlé e Expocacer implementam tecnologia para monitorar saúde do solo no Cerrado
Novo método de bioanálise otimiza aplicação de insumos e mensura a redução de emissões de carbono em propriedades cafeeiras do Cerrado Mineiro.

A Nestlé, por meio da Nescafé, uniu forças com a Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer) e a consultoria Fronterra Bio para expandir práticas de agricultura regenerativa. A parceria implementou um método inovador de coleta e análise de solo, focado na identificação da microbiota e na eficiência nutricional dos cafezais.
O projeto está em curso em dez propriedades de café arábica situadas em Patrocínio (MG). A iniciativa integra o programa Nescafé Plan Brasil e visa, futuramente, contemplar lavouras de arábica no sul do Estado e de conilon no Espírito Santo.
Tecnologia e precisão
O método utiliza a metodologia BioAS (Bioanálise de Solo), desenvolvida pela Embrapa, que analisa a atividade de enzimas de microrganismos. Esses componentes funcionam como bioindicadores da saúde do solo, permitindo que o produtor tome decisões assertivas sobre a adubação e o uso de defensivos químicos.
A execução técnica conta com um quadriciclo equipado com kit de coleta mecanizada e georreferenciada. Esse processo substitui a coleta manual, reduzindo o tempo de trabalho de dois dias para apenas uma hora por propriedade, além de garantir a padronização do volume de amostras retiradas.
Segundo Íkaro Almeida, coordenador agrícola do Nescafé Plan Brasil, essa tecnologia contabiliza a microbiota positiva e negativa do solo. Já Rodolfo Clímaco, também coordenador do programa, destaca que a precisão técnica permitirá monitorar a evolução da matéria orgânica e a redução das emissões de carbono até 2030.
Impacto na produtividade
Produtores que aderiram ao projeto recebem consultoria e insumos, como mix de sementes para cobertura do solo, incluindo espécies como crotalária, nabo forrageiro, braquiária e trigo morisco. Essas plantas atuam na regulação da temperatura do solo e na atração de inimigos naturais de pragas.
Karina Seibt, da Fazenda Manabuiú em Patrocínio (MG), destaca a eficiência do modelo. Em sua propriedade de 516 hectares, que colheu 28 mil sacas este ano, o diagnóstico detalhado por talhão permitiu um direcionamento mais preciso do manejo e consequente economia de custos.
Matheus Bento, sócio da Fronterra Bio, ressalta que o valor do projeto reside na visão sistêmica que integra indicadores físicos, químicos e biológicos. Esse acompanhamento contínuo visa sustentar o crescimento produtivo de forma ambientalmente responsável.
Expansão e investimentos
O programa Nescafé Plan Brasil atende hoje 3,8 mil propriedades focadas em práticas regenerativas. Atualmente, 53% do café verde adquirido pela marca provém de fazendas que adotam esse modelo de cultivo.
Globalmente, a Nestlé possui um compromisso de investir 1 bilhão de francos suíços, equivalentes a R$ 6,5 bilhões, no Nescafé Plan entre 2025 e 2030. A expansão do método de bioanálise é um dos pilares para atingir as metas de sustentabilidade e produtividade da companhia.
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