Mudança no perfil do consumidor impulsiona adoção da cafeicultura regenerativa
A busca por sustentabilidade altera prioridades de compra e molda estratégias de grandes empresas no mercado global de café.

A dinâmica de consumo tem sofrido uma transformação relevante, com a pergunta sobre como um produto foi fabricado ganhando protagonismo diante do preço e da qualidade. Essa mudança de comportamento, acentuada pelas gerações Z e millennial, reflete o desejo de conectar o valor de compra a critérios de sustentabilidade e responsabilidade na produção.
Uma pesquisa global realizada pela Deloitte em 2025 aponta que 72% dos entrevistados da geração Z no Brasil demonstram disposição para pagar mais por produtos ambientalmente sustentáveis. Embora a intenção nem sempre se traduza em compra imediata, o movimento sinaliza uma demanda que as cadeias produtivas precisam observar com atenção.
Sustentabilidade e regeneração
No setor cafeeiro, o interesse por transparência, rastreabilidade e preservação ambiental cresce, integrando a história e as condições de origem à jornada da xícara. Nesse cenário, a cafeicultura regenerativa ganha força ao buscar não apenas reduzir impactos, mas melhorar os recursos naturais como solo, água e biodiversidade.
As práticas regenerativas incluem medidas como a manutenção de cobertura vegetal, o uso eficiente de insumos e a conservação do solo, variando conforme as características de cada propriedade. Em setembro de 2025, a Global Coffee Platform lançou o RegenCoffee Guidance para estabelecer referências comuns e conferir consistência ao conceito, evitando que o termo seja usado apenas como ferramenta de marketing.
Estratégias das grandes companhias
O setor industrial já incorpora esses critérios em suas estratégias de abastecimento para garantir a resiliência produtiva e atender exigências de mercado. Em junho de 2026, a Nestlé reportou que 53% do café verde adquirido pela Nescafé em 2025 veio de produtores com práticas regenerativas, envolvendo mais de 100 mil cafeicultores em 15 países.
Outras empresas seguem caminhos similares, como a Nespresso, que utiliza instrumentos de avaliação com a Rainforest Alliance, e a illycaffè, que estabeleceu a meta de ter 80% de seu fornecimento de café no Brasil proveniente de agricultura regenerativa até 2033. Essas ações demonstram que a preocupação com a origem do café está reorganizando as cadeias de suprimento globais.
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