Preço do café cai 19% no Paraná e pacote de 500 g chega a R$ 23,90
Boletim do Deral aponta queda no varejo e no café beneficiado, enquanto exportações de soja do Paraná avançam 13% até setembro.

O preço do café no Paraná caiu 19% em outubro de 2026, levando o pacote de 500 gramas à média de R$ 23,90 nos supermercados e demais estabelecimentos varejistas. Os dados estão no Boletim Conjuntural divulgado em 22 de outubro pelo Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
A retração aparece na comparação anual e também em relação a setembro de 2026. Em outubro de 2025, o consumidor paranaense pagava, em média, R$ 29,42 pela mesma embalagem. No campo, a saca de café beneficiado foi negociada por R$ 1.380,51 na semana anterior à publicação do boletim, ante R$ 1.533,37 em setembro, queda de aproximadamente 10%.
Indústria e próxima safra
Hugo Wickler Godinho, coordenador da Divisão de Conjuntura do Deral, avalia que a redução dos preços permite à indústria formar estoques com custos menores. Esse movimento favorece a oferta de café a valores mais acessíveis no comércio, enquanto a saca é a referência usada nas negociações do produto beneficiado entre produtores e compradores.
Mesmo com a retração, o departamento considera que os preços continuam positivos para os produtores, levando em conta o volume da produção nacional. A perspectiva climática para a próxima safra paranaense também é favorável: as precipitações regulares associadas ao El Niño contribuem para o desenvolvimento das primeiras floradas. O Paraná participa atualmente com aproximadamente 1% de todo o café produzido no Brasil.
Soja sustenta exportações
Entre janeiro e setembro, as exportações paranaenses do complexo soja movimentaram US$ 5,76 bilhões, alta de 13% sobre o mesmo intervalo de 2025. Os embarques de grãos, óleo e farelo somaram 12,79 milhões de toneladas, volume 3% maior, indicando que o faturamento cresceu mais rapidamente que a quantidade comercializada.
A soja em grão respondeu por 71% do volume enviado ao exterior, seguida pelo farelo, com 24%, e pelo óleo, com 5%. As mercadorias chegaram a 24 países em volumes relevantes; a China liderou, com 58% das aquisições, enquanto o Irã respondeu por pouco mais de 8%, na segunda posição. No Brasil, as exportações do setor totalizaram 121,58 milhões de toneladas e US$ 52,17 bilhões, altas de 8% e 17%, respectivamente.
Plantio e outras atividades
O avanço das exportações contrasta com o ritmo de implantação da nova safra de soja no Paraná. A chuva intensa da semana anterior ao levantamento limitou o trabalho das máquinas, e os produtores haviam concluído 47% do plantio da área prevista, abaixo da média superior a 55% observada nas três safras anteriores.
O boletim também registrou 189,8 mil toneladas de hortaliças no Sudoeste em 2025, produzidas em aproximadamente 6,1 mil hectares e com VBP de R$ 309,6 milhões. A fruticultura somou 50,2 mil toneladas em 2,5 mil hectares e movimentou R$ 163,2 milhões, embora a área de pomares continue diminuindo. Na avicultura, o frango vivo alcançou R$ 4,75 por quilo em setembro, alta de 0,4% no mês, mas queda de 4,4% em um ano; o farelo de soja chegou a R$ 2.171,40 por tonelada e o milho, a R$ 66,43 por saca de 60 quilos.
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