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Regulamento europeu contra desmatamento deve aumentar volatilidade no mercado de cacau

A norma EUDR impõe novas exigências de rastreabilidade para importações europeias, afetando fluxos comerciais e precificação das origens produtoras de cacau.

Por Redação 2 min de leitura
Regulamento europeu contra desmatamento deve aumentar volatilidade no mercado de cacau

A implementação do Regulamento Europeu sobre Desmatamento (EUDR) promete impactar significativamente a dinâmica do mercado internacional de cacau. De acordo com a Hedgepoint Global Markets, a medida tende a elevar a volatilidade nos preços e alterar os fluxos de abastecimento da União Europeia a partir de 30 de dezembro de 2026, data programada para a vigência da norma após sucessivos adiamentos.

A legislação exige que operadores de médio e grande porte comprovem que o cacau comercializado no bloco europeu não possui vínculo com o desmatamento ocorrido após dezembro de 2020. Além da questão ambiental, os produtores devem cumprir critérios rigorosos de legalidade e rastreabilidade para manter o acesso a esse mercado.

Desafios na África Ocidental

A África Ocidental, que responde por aproximadamente 60% da oferta mundial de cacau, apresenta níveis heterogêneos de adequação. Dados detalham que a Costa do Marfim tinha 48% das exportações rastreáveis até cooperativas em 2024, enquanto Gana alcançou 83% de rastreabilidade até a parcela produtiva em 2023. Camarões reportou que 99% das áreas contavam com geolocalização em 2025, ao passo que a Nigéria enfrenta dificuldades e mais da metade da produção pode ter problemas para cumprir as novas exigências.

Essa disparidade na preparação dos fornecedores gera preocupações sobre possíveis restrições comerciais. A consultoria aponta que a incapacidade de comprovar a conformidade deve pressionar os diferenciais físicos de preços, criando um mercado de duas velocidades entre o produto apto a entrar na Europa e aquele que não possui certificação.

Mudanças nos fluxos comerciais

O mercado já observa sinais de diversificação nas origens de abastecimento. Entre as safras 2021/22 e 2025/26, a fatia da Costa do Marfim nas importações europeias de amêndoas caiu de 51% para 40%, enquanto a participação do Equador dobrou, saltando de 5% para 10%.

Carolina França, analista da Hedgepoint, ressalta que, embora esses movimentos reflitam ajustes anteriores às exigências do EUDR, a nova regulamentação adiciona uma camada extra de incerteza. A perspectiva é que a norma, somada aos fundamentos climáticos da África Ocidental e ao ritmo das moagens globais, intensifique as oscilações nos diferenciais de preços e na estratégia de compra dos importadores.

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