Preço do leite ao produtor recua 5% em setembro com aumento da oferta
Elevação na captação nacional e maior volume de importações pressionaram as cotações, enquanto custos de produção voltaram a subir no período.

O preço do leite pago ao produtor registrou uma queda de 5% em setembro na comparação com o mês anterior, atingindo a marca de R$ 2,76 por litro na Média Brasil. O movimento foi identificado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.
A desvalorização é resultado direto da recuperação sazonal da produção, com destaque para a região Sudeste, que elevou o volume de matéria-prima disponível para laticínios e cooperativas. O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) avançou 2,16% de agosto para setembro, aumentando a disponibilidade interna e pressionando as cotações.
Impacto das importações
Além da produção nacional, o mercado sentiu a pressão da concorrência externa. As compras brasileiras de produtos lácteos cresceram 8,38% entre agosto e setembro, alcançando 249,6 milhões de litros em equivalente-leite, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Embora as exportações também tenham avançado 6,05%, totalizando 5,57 milhões de litros, a expansão das importações foi mais expressiva, ampliando o déficit da balança comercial de lácteos em 8,4%. A entrada de produtos como leite em pó e queijos reforçou a oferta no mercado brasileiro.
Desafios nas margens
O cenário para o produtor é de alerta, pois o recuo na receita por litro ocorreu simultaneamente a um aumento nos gastos. O Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade subiu 0,46% em setembro, impulsionado principalmente pelo grupo de concentrados, que teve alta de 0,84% devido à valorização do milho, da soja e do farelo de soja.
Apesar da queda mensal, o valor de R$ 2,76 ainda permanece 8,31% acima do registrado em setembro de 2025, em termos reais. Contudo, a combinação de menor preço de venda e despesas mais elevadas com a alimentação do rebanho coloca em risco a rentabilidade das propriedades nos próximos meses.
Expectativas futuras
A avaliação do Cepea indica que a tendência de pressão sobre a remuneração deve se manter caso a oferta de matéria-prima e a concorrência dos derivados importados permaneçam elevadas. A continuidade do encarecimento dos insumos de alimentação animal em outubro também pode manter as margens pressionadas.
Como contraponto, eventuais impactos climáticos associados ao El Niño podem limitar a expansão da produção, o que teria potencial para amenizar a intensidade das quedas. O monitoramento do ritmo das importações e o comportamento dos custos seguem como fatores essenciais para o equilíbrio da cadeia.
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