Info Café
ARÁBICA+0,48%
  • ROBUSTAR$ 972,44+0,72%
  • SUL MGR$ 1.700,00+1,80%
  • GUAXUPÉR$ 1.732,00+0,58%
  • CERRADOR$ 1.725,00+2,99%
  • MOGIANAR$ 1.670,00+1,21%
  • BAHIAR$ 1.545,00+1,81%
  • CONILON ESR$ 923,00+0,76%
  • DÓLARR$ 5,49+1,00%
  • EUROR$ 6,15+1,06%
  • LIBRAR$ 7,37+1,10%
  • NOVA YORK284,05 US¢/lb-2,76%
  • LONDRES3.225,00 US$/t-0,95%

BrasilAgro

Preço do leite ao produtor recua 5% em setembro com aumento da oferta

Elevação na captação nacional e maior volume de importações pressionaram as cotações, enquanto custos de produção voltaram a subir no período.

Por Redação 2 min de leitura
Preço do leite ao produtor recua 5% em setembro com aumento da oferta

O preço do leite pago ao produtor registrou uma queda de 5% em setembro na comparação com o mês anterior, atingindo a marca de R$ 2,76 por litro na Média Brasil. O movimento foi identificado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.

A desvalorização é resultado direto da recuperação sazonal da produção, com destaque para a região Sudeste, que elevou o volume de matéria-prima disponível para laticínios e cooperativas. O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) avançou 2,16% de agosto para setembro, aumentando a disponibilidade interna e pressionando as cotações.

Impacto das importações

Além da produção nacional, o mercado sentiu a pressão da concorrência externa. As compras brasileiras de produtos lácteos cresceram 8,38% entre agosto e setembro, alcançando 249,6 milhões de litros em equivalente-leite, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Embora as exportações também tenham avançado 6,05%, totalizando 5,57 milhões de litros, a expansão das importações foi mais expressiva, ampliando o déficit da balança comercial de lácteos em 8,4%. A entrada de produtos como leite em pó e queijos reforçou a oferta no mercado brasileiro.

Desafios nas margens

O cenário para o produtor é de alerta, pois o recuo na receita por litro ocorreu simultaneamente a um aumento nos gastos. O Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade subiu 0,46% em setembro, impulsionado principalmente pelo grupo de concentrados, que teve alta de 0,84% devido à valorização do milho, da soja e do farelo de soja.

Apesar da queda mensal, o valor de R$ 2,76 ainda permanece 8,31% acima do registrado em setembro de 2025, em termos reais. Contudo, a combinação de menor preço de venda e despesas mais elevadas com a alimentação do rebanho coloca em risco a rentabilidade das propriedades nos próximos meses.

Expectativas futuras

A avaliação do Cepea indica que a tendência de pressão sobre a remuneração deve se manter caso a oferta de matéria-prima e a concorrência dos derivados importados permaneçam elevadas. A continuidade do encarecimento dos insumos de alimentação animal em outubro também pode manter as margens pressionadas.

Como contraponto, eventuais impactos climáticos associados ao El Niño podem limitar a expansão da produção, o que teria potencial para amenizar a intensidade das quedas. O monitoramento do ritmo das importações e o comportamento dos custos seguem como fatores essenciais para o equilíbrio da cadeia.

Gostou? Compartilhe esta matéria