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BrasilAgro

Mariangela Hungria aponta potencial dos biológicos para a produtividade do agro nacional

Ganhadora do World Food Prize 2025, pesquisadora da Embrapa destaca caminhos para expandir fertilizantes biológicos e fortalecer a segurança alimentar brasileira.

Por Redação 2 min de leitura
Mariangela Hungria aponta potencial dos biológicos para a produtividade do agro nacional

A engenheira agrônoma Mariangela Hungria, pesquisadora da Embrapa e vencedora do World Food Prize 2025, ressalta que o avanço da segurança alimentar exige ações que transcendem o aumento da produtividade nas lavouras. Para a especialista, o desafio atual envolve reduzir as perdas na colheita e pós-colheita, otimizar a logística e criar sistemas agrícolas mais resilientes aos eventos climáticos extremos.

Os fertilizantes biológicos surgem como peças-chave nessa estratégia, oferecendo benefícios ambientais e ao solo, além de promoverem a redução da dependência de importações. Segundo a pesquisadora, o Brasil detém plenas condições para liderar o uso dessas tecnologias, embora ainda precise vencer barreiras econômicas e dificuldades de distribuição para atender a todos os perfis de produtores.

Crescimento e desafios de mercado

O uso de biológicos ganhou tração a partir de 2020, impulsionado pelas dificuldades logísticas provocadas pela pandemia e pela guerra entre Rússia e Ucrânia. O Brasil consolidou-se como líder mundial no setor, mas o volume atual ainda representa apenas cerca de 10% do uso de produtos químicos. A meta, segundo Hungria, é elevar essa participação para 40% ou 50% em até três anos.

O principal obstáculo é a rentabilidade, já que a indústria está habituada às margens elevadas dos químicos. Atualmente, os investimentos concentram-se em grandes culturas como soja, milho e cana-de-açúcar. Enquanto isso, culturas secundárias, como tomate e feijão, ainda carecem de produtos específicos, evidenciando uma lacuna de mercado que precisa ser suprida para democratizar o acesso à tecnologia.

O papel das cooperativas

Para ampliar a adoção, o modelo de cooperativas e associações ganha destaque. A pesquisadora cita uma parceria estabelecida com uma grande cooperativa do Paraná, que se comprometeu a produzir soluções biológicas para culturas diversificadas, servindo como modelo de viabilidade econômica e técnica.

A implementação dessa infraestrutura exige rigor, pois a fabricação de biológicos demanda alta tecnologia, ambientes estéreis e profissionais qualificados. O investimento é elevado, tornando a escala das cooperativas fundamental para reunir recursos, contratar equipes especializadas e superar os gargalos de distribuição detectados, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

Tecnologia e logística

A segurança alimentar também passa pela gestão eficiente de perdas, que em frutas chegam a 70% no Brasil. A solução proposta envolve o processamento de alimentos para criar polpas e concentrados, além de investimentos em infraestrutura logística para evitar o desperdício no armazenamento e transporte.

Além disso, a ciência de dados aparece como ferramenta indispensável, desde que orientada por conhecimento científico e curadoria rigorosa. Para Hungria, a inteligência artificial não resolve as falhas do sistema sozinha; é necessário formular as perguntas certas e garantir que as metodologias de análise sejam compatíveis para transformar dados em resultados de fato confiáveis.

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